sábado, 23 de janeiro de 2010

umbigo

Esta é a única fase da vida, acho, em que você é encorajada a viver em torno do seu umbigo. Isso porque o umbigo deixa de ser seu e vira o umbigo do mundo. Esqueça, sua barriga agora é um aeroporto de beijinhos, afagos, e alvo de toda sorte de conjecturas. Aquilo que sempre foi uma parte tão íntima sua, tornou-se área pública. Uma espécie de play de diversão, tamanha é a alegria das pessoas ao deparar-se com ela. Acostume-se, me aconselhavam as mais experientes. Daí invariavelmente vc vai se acostumando. O tempo trabalha sozinho, em outras grandezas.

Sua barriga que ainda nem existe já é maior que vc, torna-se o seu rosto. E vc sai de foco. É uma passagem meio vertiginosa, e as mais desavisadas tremem um pouco com a turbulência. Não se torna mãe no momento da fecundação. Dói um pouco vê-se perdida em si mesma, essa esquizofrenia de desumbigar-se no próprio umbigo. E não adianta aonde vc esteja, gravidez é mesmo uma experiência muito solitária. Mas aí você volta a si, e descobre que a trivialidade disso tudo é de uma beleza tremenda. E que quando se alcança o tempo, sem saber bem como, você é capaz de ver-se tão mais bonita, mais cheia de vida, e, acima de tudo, mais forte.

sábado, 16 de janeiro de 2010

sexo dos anjos


Eu juro que não queria saber. Me dava pânico imaginar um quarto todo cor-de-rosa ou um enxoval com motivos de carrinho. Queria um bebê sem gênero, apesar de sustentar uma certeza anunciada de que seria um menino. Queria a surpresa do parto, à moda antiga. Que o mundo se viaresse em outras cores, queria um bebê bem colorido. Daí veio o pai, com seus argumentos de pai. Que ele queria muito saber, porque já que ele não podia sentir a criança, pelo menos podia saber dela. Assim ela se tornaria para ele mais próxima, mais real. Com uma imagem talvez menos colorida, mas com certeza menos borrada. Bati o pé e disse que eu sou a mãe, que quem decide sou eu. Munida de toda minha autoridade, fomos ao ultrassom e disparei minha palavra final: "qual é o sexo, doutora?" No meio de borrões, ela decifrava o sexo dos anjos. No meio de algo que mais parecia um teste de rorschach, ela apontava um pintinho: "É menino, pode mandar pintar o quarto de azul". Saímos de lá com o sorriso rasgando a boca.

Depois do natal e antes do Natal.


barriga de chop

Tá, eu sei. Faz tempo. Mas é que a barriga não espera inspiração e ela já vai avançando mundos. Quem não me conhecia há alguns meses atrás talvez ainda nem perceba, ou talvez tenha vergonha de perguntar sobre a gravidez, com medo da respostar ser negativa. Já pensou? Pois é, ainda não posso usar os assentos prefenciais do metrô, furar a fila de bancos, etc. Ninguém sede assento pra pessoas que aparentam barriguinha de chops-e-pastel-de-quem-exagerou-no-natal. Dái vou seguindo pelo mundo com meu segredo guardado na barriga: uma pequena revoluçãozinha dando cambalhotas. Mas se aos olhos do mundo minha barriga parece tímida, pra mim ela já tem o tamanho do mundo. Que não é nada pequeno, por sinal. Cheínho, prenhe, de possibilidades.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

lá vamos nós



Ontem foi um dia de treino. E sem que tivéssemos nos programado pra isso, de repente, meu dia estava povoado por nenens, grávidas, mães e pais.

Pela manhã foi o aniversário do filho de uma amiga. Ele pessoalmente nos convidou pra sua festa - convidou ao Felipe, na verdade. Disse que eu podia ir também, se quisesse. Chegando lá um punhado de crianças tomando banho de piscina na chuva enquanto os pais revesavam-se na produção da festa. E eu, café-com-leite, ficava mei-lá-mei-cá, ocupando-me com minhas vertigens diante do futuro. O Felipe tinha a certeza que preferia a piscina na chuva das crianças que os pães com mate dos adultos.

A hora do almoço passamos na companhia do Antônio e deus pais, um casal amigo. Em poucos minutos Atônio já parecia ser de casa: explorava cada cantinho, cada adereço, cada tomada, enfim, tudo o que lhe fosse proibido. Nós adultos revesávamos mais uma vez nos preparativos dos comes-e-bebes, das advertências pós parto, no encantamento desse novo mundo que se abre. Tão mágico que é. Mágico e misterioso. Eu mais uma vez tendo vertigens e o Felipe lá, ganhado um novo amiguinho.

Daí a noite fomos ver um filme. "Away we go", ele se chama. Um casal gente boa com uma gravidez inesperada mas não indesejada, procuram por um lugar onde viver, onde lançar no mundo a si mesmos e a sua nova cria. Menos do que sobre crianças, o filme é sobre esse estado estranho que é estar grávido. Esta condição biológica que ao mesmo tempo em que é a coisa mais incrível do mundo, é também a mais banal. É estranho como o mesmíssimo fato pode ser tão maravilhoso e tão prosaico. Enquanto eu ia me dando conta de mim, o Felipe chorava.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

solstício de verão

Agora já vamos entrando pro terceiro mês. Período crítico, dizem. São nos primeiros três meses que o bebê (ou embrião) está mais vulnerável e todo o cuidado nesse período é pouco. Engraçado porque é justamente o período em que a gravidez dá pra passar despercebida, ainda mais no meu caso que até agora não tive enjoos. Acho que poderia estar percebendo agora, não fosse a minha implacável suspeita de gravidez que me persegue todo santo mês. Uma hora ela teria que ser saciada.
Pois é, na verdade esse post é uma mea culpa para aqueles que ainda não foram avisados da gravidez. Amigos e familiares brasilienses, perdoai e esperai. É que contar assim de longe é chato, e queremos vc pertinho pra fazermos umbigadas. Presentinho de natal.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

tem alguém aí?



Essa aí é a barriga com um mês mais ou menos. Já tá maiorzinha agora. Aliás, é incrível como algo de três milimetros já modifica tanto seu corpo... E tou adorando mudar. Barriga, peito, cabelo, pelo, conversas, horas de sono, comida... ai, a comida...